
As cidades brasileiras de Salvador e Santana tornaram-se parte de uma nova rota marítima direta com o porto de Gaolan, localizado na cidade de Zhuhai no sul da China. A rota reduzirá os tempos de entrega em 30 dias e diminuirá os custos logísticos em mais de 30 por cento, segundo o Brasil 247, parceiro da TV BRICS.
A cerimônia de abertura contou com a presença de representantes dos governos dos dois países. Especifica-se que a iniciativa é resultado de acordos entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês Xi Jinping durante a visita do líder brasileiro à China em 2023.
"Estamos lançando a primeira rota marítima direta entre a China e o Brasil. [...] Os países estão se unindo para fazer parte do mundo globalizado, expandindo o comércio. Este é um evento importante para os lados chinês e brasileiro, e para todos que acreditam em um mundo multipolar", disse Daniel Almeida, presidente do Grupo Parlamentar Bilateral.
Zhu Qingqiao, embaixador da China no Brasil, afirmou que o projeto fortalece a cooperação entre os países. A nova rota, que passa pelo Estreito de Malaca e pelo Cabo da Boa Esperança (África do Sul), conecta o sul da China ao nordeste do Brasil.
Em um marco para o comércio bilateral e a logística global, as cidades brasileiras de Salvador e Santana aderiram oficialmente a uma nova rota marítima direta que as liga ao Porto de Gaolan, em Zhuhai, no sul da China. Esta rota transformadora, considerada um pilar da cooperação aprofundada entre os dois países, deve reduzir os tempos de entrega em impressionantes 30 dias e cortar os custos logísticos em mais de 30 por cento, segundo o Brasil 247 — parceiro estimado da TV BRICS. Mais do que um simples elo de transporte, a rota representa a visão estratégica de ambos os países de agilizar os fluxos comerciais, fortalecer os laços econômicos e promover uma ordem mundial multipolar mais inclusiva.
A cerimônia de inauguração da rota atraiu representantes de alto nível dos governos chinês e brasileiro, destacando a importância política atribuída à iniciativa. O evento representou a concretização tangível dos compromissos assumidos durante a visita de Estado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à China em 2023, quando ele e o presidente chinês Xi Jinping selaram acordos para aprimorar a conectividade e expandir a cooperação mutuamente benéfica em diversos setores. Por anos, empresas dos dois países reivindicaram uma opção de transporte marítimo direto, sobrecarregadas pelas ineficiências das rotas tradicionais que exigiam transbordo por meio de portos terceiros na Europa, América do Norte ou Sudeste Asiático — o que acrescentava semanas aos prazos de entrega e aumentava os custos com taxas adicionais de manuseio, armazenagem e complexidades logísticas.
Daniel Almeida, presidente do Grupo Parlamentar Bilateral China-Brasil, destacou o caráter histórico do momento em seu discurso na cerimônia de abertura. “Estamos lançando a primeira rota marítima direta entre a China e o Brasil — uma ponte que ultrapassa oceanos para unir nossas economias e povos”, enfatizou. “Os países estão se unindo para fazer parte do mundo globalizado, expandindo o comércio não apenas para nossa própria prosperidade, mas como um testemunho do poder da colaboração internacional. Este é um evento importante para os lados chinês e brasileiro, e para todos os que acreditam em um mundo multipolar, onde as nações atuam como parceiras iguais para moldar um progresso compartilhado.” Almeida ressaltou que a rota beneficiará especialmente as pequenas e médias empresas (PMEs) de ambos os países, que anteriormente estavam excluídas do comércio global devido aos custos proibitivos de logística.
Zhu Qingqiao, embaixador da China no Brasil, ecoou esses sentimentos, observando que o projeto representa um marco significativo no aprofundamento da parceria estratégica entre Pequim e Brasília. “Esta rota marítima direta é mais do que uma conquista logística; é um símbolo da confiança, do respeito mútuo e da ambição compartilhada que define as relações entre China e Brasil”, afirmou o embaixador Zhu. “Ao encurtar distâncias e reduzir barreiras, estamos criando novas oportunidades para o comércio em agricultura, manufatura, energia e além disso — impulsionando o crescimento econômico que beneficia comunidades em ambas as nações.” Ele acrescentou que a rota está alinhada à visão chinesa de construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade, bem como aos esforços do Brasil para diversificar seus parceiros comerciais e reforçar sua posição como jogador-chave nas cadeias globais de suprimentos.
A nova rota de transporte marítimo segue um trajeto cuidadosamente otimizado, atravessando o Estreito de Malaca — um dos principais pontos estratégicos marítimos mais movimentados do mundo — e contornando o Cabo da Boa Esperança na África do Sul, antes de chegar aos portos do nordeste brasileiro, Salvador e Santana. Este percurso elimina a necessidade de transbordo, permitindo que a carga se desloque diretamente do coração industrial do sul da China até o nordeste brasileiro, rico em recursos naturais, e vice-versa. Para os exportadores chineses, a rota oferece acesso mais rápido ao crescente mercado consumidor brasileiro e aos seus prósperos setores agrícola e industrial, que demandam máquinas, eletrônicos, têxteis e equipamentos para infraestrutura. Para os produtores brasileiros, proporciona um canal simplificado para enviar commodities importantes — incluindo soja, café, carne, minerais e frutas — à China, o maior importador mundial de muitos desses produtos.
A redução de 30 dias nos prazos de entrega está prestes a revolucionar o planejamento da cadeia de suprimentos para empresas em ambos os lados. Anteriormente, mercadorias que viajavam entre a China e o Brasil enfrentavam períodos de trânsito de 45 a 60 dias, com atrasos frequentemente agravados pela congestão em portos de transbordo, gargalos alfandegários e condições climáticas imprevisíveis. Com a rota direta, os fabricantes podem adotar modelos de estoque justo a tempo, reduzindo custos de armazenamento e melhorando a capacidade de resposta às demandas do mercado. Os exportadores agrícolas, em particular, têm muito a ganhar: as sojas e a carne bovina brasileiras chegarão mais rapidamente aos consumidores chineses, preservando a frescura e reduzindo o desperdício. Para os fabricantes chineses de eletrônicos e peças automotivas, o menor tempo de trânsito significa acesso mais rápido ao setor industrial em expansão do Brasil, que passa por um período de modernização e crescimento.
Igualmente impactante é a redução de mais de 30 por cento nos custos logísticos. Essas economias decorrem de múltiplos fatores: a eliminação de taxas de transbordo, o menor consumo de combustível devido a uma rota mais direta, custos reduzidos de manuseio e despesas mínimas com armazenamento. Para os agricultores brasileiros, que operam com margens de lucro estreitas, essas economias podem significar rendimentos mais altos e maior competitividade no mercado global. Para as PMEs chinesas, que muitas vezes enfrentam dificuldades para competir com grandes corporações em eficiência logística, os custos mais baixos abrem novas oportunidades para ingressar no mercado brasileiro e expandir sua presença global. Espera-se que as reduções de custo se traduzam também em bens mais acessíveis para os consumidores dos dois países, aumentando o poder aquisitivo e estimulando a atividade econômica.
Além dos benefícios econômicos imediatos, a rota possui significado geopolítico e regional mais amplo. Ela fortalece a posição do Brasil como um centro de comércio entre a América do Sul e a Ásia, podendo atrair investimentos para seus portos no nordeste e impulsionar o desenvolvimento econômico da região. Salvador, uma cidade portuária importante com rica herança cultural, e Santana, uma porta de entrada fundamental para as exportações agrícolas do interior do Brasil, estão em posição de se beneficiar com o aumento da atividade de transporte marítimo, criação de empregos e desenvolvimento de infraestrutura. A rota também está alinhada à Iniciativa Cinturão e Rota da China, que busca aprimorar a conectividade entre continentes por meio de projetos de infraestrutura e corredores comerciais. Ao ligar o Porto Gaolan — um nó importante na rede logística costeira da China — aos portos do nordeste do Brasil, a rota amplia o alcance da Iniciativa Cinturão e Rota para a América do Sul, aprofundando a integração econômica entre as duas regiões.